terça-feira, 31 de março de 2009

Acessibilidade Web - limitação cognitiva

Num primeiro impacto, quando se fala de um indivíduo com limitação cognitiva existe a tendência, infelizmente, de associar a imagem de alguém com um atraso mental. Digo isto porque tenho feito esta pergunta a várias pessoas e a resposta é sempre a mesma.
Pois desenganem-se. O grupo de pessoas com limitação cognitiva é mais amplo.
Antes de mais convirá esclarecer o que é uma função cognitiva. Fazem parte das funções cognitivas a memória (adquirir, reter e recordar informação), a linguagem (compreender e utilizar), a atenção (focalizar, manter e dividir a atenção), o processamento de informação adquirida através dos cinco sentidos, a imagem mental (reconhecer objectos, classificá-los e situá-los no espaço) e a resolução de problemas.

Sem recorrermos a casos extremos ou mais específicos, todos nós, ao longo da nossa vida vamos diminuindo (mais ou menos) algumas das nossas funções mentais tal como a memória e a concentração.
Outro exemplo são as pessoas com baixas habilitações académicas são em geral pessoas com dificuldade em interpretar um tipo de escrita mais elaborada e com palavras não vulgarmente utilizadas.
Mais ainda, são vários os factores que podem levar a uma limitação cognitiva temporária, por exemplo, o stress, a fadiga, a depressão, o consumo elevado de álcool, diferentes tipos de medicação.
Destacam-se alguns problemas e doença neurológica: dislexia, afásia, autismo, epilepsia, esclerose múltipla, Alzeimer, Parkinson's ou simplesmente enxaquecas (neste ponto, posso falar por experiência própria).

O que é possível fazer para facilitar o acesso à informação Web a estes utilizadores? Mais uma vez, uma boa estrutura de navegação no Web site é fundamental. Torna-se necessário o utilizador saber sempre em que parte do Web site se encontra. Tal também se deve reflectir através da consistência do aspecto visual em todo o Web site.

A informação deverá estar apresentada de uma forma clara, simples e objectiva, textos pequenos com uma linguagem acessível e leitura rápida. Em caso de Web sites informativos a presença de imagens que complementem o texto serão benéficas, mas atenção, muitas imagens é prejudicial, uma vez que é demasiada informação visual para o cérebro processar.
Por estranho que pareça, estes são utilizadores que beneficiam de links com texto descritivo em vez de imagens pois a associação de imagem ao seu sentido pode tornar-se uma tarefa difícil.

A presença de títulos e subtítulos pequenos mas descritivos é uma mais valia, bem como a enumeração da informação por pontos ao invés da escrita de parágrafos longos. É obrigatória a inexistência de erros gramaticais.

Evitar a 100% imagens, ficheiros com movimento ou pequeno espaço entre linhas. Para além de serem factores de distracção do olhar do utilizador, podendo acentuar a dificuldade de concentração e o utilizador acaba por se perder no texto. No caso de epilépticos, a presença de imagens que "piscam" pode desencadear uma crise.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Acessibilidade Web – limitação ou incapacidade auditiva

Este é um grupo de pessoas que não tem tantas limitações a nível de utilização da Web quanto o grupo do post anterior. No entanto, são utilizadores que se tem tendência a esquecermos deles. Um bom exemplo de um site inacessível é o da Medis.
A nível de acessibilidade Web recomenda-se sobretudo a utilização de legendas ou linguagem gestual em ficheiros de áudio e vídeo.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Acessibilidade Web – limitação ou incapacidade visual

Como é obvio, as pessoas com incapacidade visual têm um modo muito próprio de “ver o mundo". Para eles a localização espacial é muito importante. Tal também se aplica à informática.
Como qualquer utilizador, a primeira necessidade que têm quando chegam a um web site é perceberem e compreenderem a estrutura dos conteúdos (num outro post abordarei como tal pode ser concebido). É através da compreensão da estrutura que um invisual poderá escolher de uma forma mais confiante o caminho a seguir, perdendo menos tempo a voltar atrás caso se engane. Desta forma, uma estrutura simples e bem definida será sem dúvida uma mais valia para estes utilizadores.
É também preciso não esquecer que estas pessoas navegam na Web através do teclado, não utilizando o rato. Assim, torna-se importante que exista uma tabulação lógica entre links, campos de formulários e outras funcionalidades.
Alternativas a ficheiros flash, scripts ou frames são sempre bem-vindas, uma vez que através do teclado estas podem estar inacessíveis ou simplesmente bloquear a navegação.
Existem imagens que não só devem de estar bem identificadas como deveriam de ter uma descrição associada. Um exemplo muito simples: existem várias câmaras municipais que promovem o turismo da sua região mostrando fotografias apelativas. Muitas vezes, não só não existe a referência à presença da fotografia bem como o seu conteúdo passa totalmente despercebido. Muitos casos que tenho observado são fotografias referentes a paisagens lindíssimas do mar ou da montanha e dos produtos artesanais da zona. É pena que esta informação se perca só porque uma pessoa é cega e a imagem não está propriamente identifica e/ou descrita.

Um grupo crescente de utilizadores da Web são o das pessoas com limitação visual. De facto, começa a ser um grupo extremamente vasto, bastante maior do que em geral os programadores e designers têm noção.
Hoje em dia há a propensão para as pessoas começarem a “ver mal” cada vez mais cedo. Em muitos dos artigos que encontrei mencionam que pessoas acima dos 50 anos têm tendência a perderem capacidades visuais. Por experiência própria observo que tal começa mais cedo. Por outro lado, a fasquia de utilizadores da Web acima dos 65 anos está a crescer. É vulgar nos lares de 3ª idade, centros de dia ou centros sociais existirem alguns computadores ligados à Internet para que sejam usados pelos seu utentes. Paralelamente são dadas pequenas formações de acesso à Internet, o que incentiva ainda mais a navegação na Web. Acredito também que com o aparecimento dos netbooks esta fasquia ainda vai aumentar. Existem muitos factores que levam pessoas na 3ª idade a usarem a Internet, mas não serão aqui expostas porque saem fora do âmbito deste post. Estas pessoas, em geral, utilizam baixas resoluções do ecrã e em alguns casos são utilizados amplificadores de ecrã. Tal implica que designs fluidos e que se adaptem ao ecrãn sejam os mais apropriados.

Por últimos, temos o grupo das pessoas daltónicas. Este é um conjunto de utilizadores do qual não me sinto muito à vontade de falar. O meu conhecimento sobre daltonismo é pouco e nem sequer tenho a noção de qual a percentagem de pessoas que têm esta limitação. No entanto elas existem e tenho a sensação que não são assim tão poucas.
Sobre o assunto quero apenas contar uma experiência de um colega meu que é daltónico. Ele não consegue ver nem o ver nem o cor de rosa. Ora, essas eram as cores antigamente utilizadas pela Clix. Existiam bastantes links e/ou botões que utilizavam imagens com as cores da Clix. Ora, para esse meu colega, a única coisa que ele conseguia ver era uma mancha cinzenta, tornando-se dificil para ele navegar dentro do site. Talvez este exemplo nos deve a pôr a pensar um pouco sobre este assunto.