segunda-feira, 15 de junho de 2009

A controvérsia do alt

O atributo alt pode ser tema de controvérsia. Este atributo surgiu com o objectivo de se prover uma breve descrição texto-equivalente a elementos de uma página HTML tais como imagens e applets ou às tags input e area.

Com a “febre” da acessibilidade Web verificou-se o uso e abuso do alt, nomeadamente no comprimento do texto descritivo ou a descrição de imagens decorativas. De facto, em vários post de diferentes blogs e em artigos publicados, pode ler-se avisos sobre o mau uso do alt, sendo muitas vezes citado como um dos 10 erros mais comuns que os implementadores de páginas Web cometiam (ou cometem). Com a saída da versão 2.0 das WCAG (Web Content Accessibility Guidelines), está contemplado na primeira Guideline que se o conteúdo não-texto seja puramente decorativo então deve ser implementado de forma a que possa ser ignorado por tecnologia assistida. Isto é, imagens decorativas deverão ter um alt=”” ao invés de um alt=”imagem decorativa”.

Ok, então para que estou a escrever este post? Porque acho que as coisas não são assim tão lineares.

Primeiro, vamos focar-nos no ponto: distinguir o que é decorativo ou não, e qual a real importância de uma imagem. Eis uma situação comum, imaginem que têm numa página um link para o endereço de email, antes desse link têm uma imagem de um envelope. Na vossa opinião, essa é uma imagem decorativa? Podemos dizer que sim, mas de facto, esta imagem está lá para reforçar ao utilizador a funcionalidade daquele link. Não é uma imagem de extrema importância, mas é uma imagem indicativa. Como tal, acredito que tem direito pelo menos a um alt=”envio de e-mail”. Por experiência própria, verifico que as pessoas cegas têm, por norma, uma grande necessidade de saberem como é o mundo que nós vemos, e com todos os pormenores incluídos. Para eles, faz diferença saberem se alí está uma imagem representativa ou não.

Segundo, a perspectiva SEO. Já foquei num post anterior que os alt são uma fonte de keywords para os motores de busca. Portanto, numa perspectiva de optimização, é proveitoso aproveitar também estas imagens. Portanto, poderíamos passar a ter um alt=”e-mail para XPTO” onde XPTO representa a empresa/serviço em questão.

No entanto, imagens e elementos decorativos sempre vão existir e depende da nossa sensatez o conteúdo que vamos atribuir a cada um dos alt. Mas deixo desde já uma sugestão, porque não usar as imagens decorativas em background manipulando o layout com stylesheets? Esta é, sem dúvida, a maneira mais prática, eficaz e limpa de se trabalhar o design de um Web site.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Novas Oportunidades

Nos últimos dois anos tem vindo a crescer a população que frequenta os cursos das Novas Oportunidades. A par com esses cursos veio a facilitação, para quem os frequenta, de portáteis a preços baixos e com uma ligação à Internet durante um ano. É dado um valor inicial de 150€ e mensalmente custa cerca de 20€ (durante 1 ano). Mas não é só aos formandos das Novas Oportunidades que é dada a possibilidade de aquisição de portáteis a uma módica quantia, tal também acontece com os professores e os alunos entre o 5º e 12º ano com o programa e-escola.

Por experiência própria, tenho visto uma grande adesão por parte destas populações a estes programas. O número de proprietários de portáteis aumentou consideravelmente e com ele o número de utilizadores Web.

Especificamente em relação aos utilizadores provenientes das Novas Oportunidades verifica-se que uma grande percentagem são pessoas com algumas dificuldades na utilização da Web e seus serviços. Tal pode acontecer por vários motivos:

  • Dificuldade na aprendizagem e sistematização de novas tarefas. Os motivos que levam a essa dificuldade são vários, podem provir de uma real dificuldade cognitiva ou simplesmente do cansaço mental de quem levou uma vida de canseira. É preciso recordar que existe uma grande percentagem de pessoas acima dos 45 anos a frequentar estes cursos.
  • Dificuldade na utilização do material. Verifico em muitos dos meus formandos e nos utilizadores de PCs que me rodeiam, que o uso do rato pode realmente ser problemático. É extremamente vulgar, e atenção que é realmente vulgar (1 em cada 4), verificar que uma pessoa ao fim de 6 meses ainda tem dificuldade em movimentar o rato ou simplesmente dar os dois famosos cliques para abrir uma aplicação ou um link. Tal pode acontecer por diversas razões. Doenças como o reumatismo, atrozes são corriqueiras nesta população. Torna-se bastante difícil para a pessoa em causa conseguir segurar o rato de uma forma firme e por vezes, sem dor. Em alturas de humidade o tempo útil de utilização do rato diminui. Nestes casos o duplo clique é realmente problemático. O rato tipo touchpad inerente aos portáteis permite uma utilização mais eficiente mas por alguma razão que ainda não descobri, as pessoas continuam a evitar usa-lo (tenho algumas teorias mas é cedo demais para expo-las). Por outro lado, existem algumas pessoas com tremuras. Para essas, acertar com o rato "na mucha" é quase "missão impossível". Neste caso costumo diminuir a velocidade do rato e aumentar a resolução do ecrã, mas o problema delas são mesmo as tremuras e não a má visão. Mas já que se fala de má visão convém referir que esta é realmente uma das razões que levam ao utilizador "clicar fora do penico". E acreditem, nos dias que correm, a quantidade de utilizadores sem dinheiro para comprar/mudar um par de óculos é enorme. Acredito também que dentro dos utilizadores que têm problemas com a utilização do rato estejam alguns com dificuldades de coordenação de movimentos, mas são os que passam mais despercebidos.
  • Um acto que merece ter destaque é o scrolling. É difícil para alguém com problemas na utilização do rato fazer scrolling. Para quem não está habituado a utilizar um computador, fazer scrolling não é intuitivo. E pelos vistos (agradeço ao Ivo Gomes a informação que me deu) tal não acontece só com adultos, também pode acontecer com crianças.
  • Triagem e compreensão da informação. Não é novidade, aliás é já uma questão antiga, que na Web há “excesso” de informação. Ok, nunca há excesso de informação, pode é existir uma grande quantidade de informação, relacionada ou não, com uma pergunta específica. Agora, triar essa informação é problemático para alguém que não está habituado a realizar raciocínios mentais ou simplesmente porque tem uma preguiça inata para "ler as instruções". Ultrapassando a parte da triagem de informação chega-se à parte de compreensão da informação. Às duas razões referidas anteriormente acrescenta-se mais algumas: a falta de vocabulário (isso existe, acreditem) e algo que me ultrapassa: as pessoas sabem ler mas não sabem interpretar o que leem, principalmente se sentirem inseguras. E atenção que isto é um caso genérico e não só referente a quem frequenta os cursos das Novas Oportunidades.

Embora este post esteja essencialmente focado na população que frequenta os cursos das Novas Oportunidades, a maioria das razões aplica-se também aos professores e restante população. Nestes ainda se acrescenta mais um motivo: o "embirranço" da utilização do computador. Existem pessoas que não gostam de utilizar o computador. Apenas o fazem por necessidade. Essas pessoas têm uma resistência inata à aprendizagem da utilização da ferramenta que dispoem quer esta seja o computador ou a Internet. E essas pessoas são ainda mais numerosas do que aquilo que podemos pensar. Ainda a semana passada descobri uma que me surpreendeu deveras. É uma moça nova, 30 aninhos, que convivo quase diariamente com ela, somos boas amigas, é muito inteligente, trabalha na área de comunicação, é aventureira, tem computador e portátil à anos, já trabalhou em multinacionais e para configurar/personalizar o perfil dela no facebook foi um "31", isto tudo simplesmente porque detesta computadores. Fiquei parva, apeteceu-me bater-lhe e fiquei irritada comigo própria por não me ter apercebido à mais tempo.

Por isso boa gente, eles andam aí, os utilizadores da Web com dificuldades é em maior número do que aquele que pensamos ver. Muitos deles estão escondidos, camuflados ou simplesmente fora do nosso mundo diário. E é também para eles que concebemos e implementamos Web sites.

domingo, 17 de maio de 2009

Vantagens económicas da Acessibilidade Web

Embora a maior parte das empresas ainda não tenha tomado consciência de tal (e realmente isso verifica-se), existem muitas vantagens económicas de um Web site ser acessível. Já não vou sequer abordar a questão de SEO e de usabilidade. Neste post, vou ficar-me apenas na parte de acessibilidade. Neste post existe uma grande ligação com o que escrevi em Acessibilidade Web e tecnologia mas tentarei não me repetir.

Para mim, uma das mais evidentes é o facto de o Web site poder ser visualizado com qualidade em diferentes dispositivos que não um PC/portátil: iPhone, iTouche, in-car browsers, telemóveis, notebooks, ... e outros gadgets que continuam a surgir. Em geral, público que utiliza este tipo de tecnologia tem poder de compra, investe e em geral tem a tendência de efectuar as suas aquisições de produtos e serviços através da Web. Eu por mim falo, hoje em dia só vou às lojas por curiosidade e descontracção. Se preciso de algo, nem as páginas amarelas consulto, vou à Web. Neste post vou também saltar a parte de "o que é preciso para visualizar um Web site com qualidade em diferentes dispositivos tecnológicos" e o porquê de tal.

Tomando em consideração do ponto acima abordado, entramos no ponto do aumento de utilizadores que consultam e utilizam o Web site. Um Web site acessível é possível ser visualizado por um maior número de pessoas. Com o aumento de utilizadores vem um aumento da probabilidade de aquisição de produtos/serviços e divulgação da marca/empresa. Sim, porque o um Web site é uma forma directa de marketing.

Um outro motivo é o factor social, o respeito para com os outros, dando-lhes igual oportunidade de acesso à informação. Cada vez mais as empresas se agarram a este motivo para divulgarem a sua marca. Recentemente vemos a edp a referir o seu respeito pelo meio ambiente, a danone com informação em braile nos iogurtes (descobri isto ontem mas já deve existir à algum tempo), a swatch que na compra de um determinado produto dá uma percentagem para uma instituição social. Infelizmente, atenção que não estou a referir-me a estes casos em específico, este motivo é utilizado muitas vezes hipocritamente apenas por uma questão de marketing.

Outro ponto de vista é o legal. Por todo o mundo, em alguns países mais do que outros, existem leis que determinam que Web sites específicos têm de ser acessíveis. Em Portugal existe a resolução do Conselho de Ministros nº 155/2007 que obriga os Web sites do Governo ou de serviços públicos a respeitarem um nível de conformidade AA ou A (consoante o propósito do Web site). No entanto é preciso não esquecer que Portugal pertence à União Europeia e que mais tarde ou mais cedo teremos de respeitar as normas por ela estabelecidas. Mais ainda, convém a um Web site com projecção internacional cumprir as leis dos diferentes países em que quer estar inserido.

A nível de custos de manutenção existe também uma vantagem num Web site acessível. Em geral, estes Web sites têm os estilos definidos num ficheiro à parte. A rapidez com que altera o visual/conteúdo é muito maior, poupando-se assim no custo na equipa técnica a realizar a operação.


Um Web site acessível acaba por ter uma maior visibilidade, isto porque tem uma maior propensão a ter um melhor ranking. De facto, Serch Engine Optimization beneficia muito com a implementação acessibilidade. Tal acontece porque ao providenciar texto alternativo em imagens, vídeo, ficheiros de áudio, flash, títulos em links estamos a criar um conjunto de keywords que são assimiladas e indexadas pelos motores de busca. Existe também o motivo óbvio de um bom código HTML ser extremamente valorizado por os motores de busca.

Podia ficar outros factores tais como a rapidez de download das páginas, a qualidade do conteúdo, a rápida identificação do conteúdo dentro do Web site,... , mas creio que aí iria repetir muito o que disse em posts anteriores.

Empresários que leram este post: espero que vos tenha convencido a procurarem uma empresa que vos garanta uma boa implementação do Web site, mesmo que a curto prazo tenham de abrir um pouco mais os cordões à bolsa. Como puderam perceber, existem vantagens reais para investirem num bom Web site.